Adoção esbarra no preconceito

A preferência por crianças brancas e recém nascidas é a realidade do Brasil

A realidade da adoção mostra o cenário contraditório, enquanto futuros pais e mães estão na fila à espera de um filho, crianças aguardam por um novo lar. Meninos e meninas continuam sem ter para onde ir e casais decidem protelar a concretização do sonho de ter uma família completa.

Em entrevista concedida a Maria Carolina Lopez para o site correioweb, Walter de Souza, supervisor de adoção da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal afirma: “os pais não querem o perfil de crianças disponíveis para adoção”. Esse tipo de declaração não espanta assistentes sociais, psicólogos e educadores que trabalham na área.

O fato é que, quando decidem adotar uma criança, 99% dos casais, ou mesmo pais solteiros, exigem as mesmas características. “Eles querem principalmente bebês, de cor parda ou branca. Mas acontece também de essas exigências virarem um capricho”, explica o supervisor.

Os “caprichos” das famílias culminam com a demora no processo de adoção. A espera para casais que querem um recém-nascido dura de três a quatro anos. Já quem não se importa em ter como filho uma criança de mais de sete anos, a espera cai para um ano, no máximo.

Segundo Walter não é um problema apenas de Brasília/DF, mas sim uma dificuldade nacional, pois no Brasil inteiro as características procuradas por quem pretende adotar são muito semelhantes e isso dificulta a adoção de crianças institucionalizadas.

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