Hereditariedade é tema de palestra de médica especialista em genética clínica, hoje, no Geaaf
Natália Viana
O que conta mais, a herança genética ou o ambiente onde uma criança é criada? A médica Gisele Rozone de Luca, especialista em genética clínica, falará sobre o tema “Adoção, hereditariedade e aspectos ambientais”, hoje, a partir das 19h30, na sede do Grupo de Estudos e Apoio a Adoção de Florianópolis (Geaaf), no Largo São Sebastião, 88, sala 15, Centro. A palestra faz parte do encontro mensal, realizado pelo Geaaf, e é aberta a todos os interessados.
A presidente do Geaaf, Úrsula Carreirão, explica que mensalmente a entidade realiza encontros para abordar temas de interesse tanto que pessoas que pensam em adotar uma criança, como aqueles que já são pais adotivos.
Segundo Úrsula, os assuntos são escolhidos a partir da avaliação e sugestão dos integrantes. A hereditariedade, por exemplo, é um dos temas que mais gera interesse e dúvida. “A gente vê muito na televisão esta questão do sangue, dos filhos serem parecidos com seus pais. Recentemente, foi noticiado um caso de um rapaz, filho adotivo, preso com drogas. E as pessoas acabam se questionando se isso o-correu porque ele era adotado”, aponta.
Na palestra, Gisele Rozone de Luca falará sobre como a hereditariedade determina algumas características das pessoas, mas não condiciona a personalidade do indivíduo, que é construída também a partir do meio-ambiente onde foi criado, da sua formação e dos valores recebidos. As palestras do Geaaf são realizadas sempre na primeira quarta-feira do mês e são gratuitas.
Além da questão genética, o encontro também enfocará outras questões que preocupam grande parte daqueles que querem ou adotaram uma criança: a revelação da adoção, informações sobre a família de origem e se as pessoas vão amar a criança adotada da mesma forma como um filho biológico. “O objetivo é passar para as famílias que vivenciam esta experiência, a importância de uma postura e comportamentos adequados, para que a criança ou adolescente sintam-se integrados a nova família”, destaca a presidente do Geaaf.
Para Úrsula, toda criança tem o direito de saber sobre sua origem e a forma como ingressou naquela família. “A gente sugere que a revelação não ocorra em uma situação formal, mas em uma conversa tranqüila. Se a criança for maior, ela vai entender, até porque provavelmente estava em um abrigo, onde foi preparada para esta situação. Agora, se a cri-ança for muito pequena, a gente indica, por exemplo, que os pais contem uma história. Existem alguns livros infantis que podem servir de base para que os pais elaborem a melhor forma de contar. No entanto, é necessário dizer a verdade e contar uma história que depois possa ser sustentada”, indica.
natalia.viana@an.com.br
Fila tem mais de 3 mil na espera
Com relação aos famíliares de origem, é preciso levar em conta outros aspectos. Segundo Úrsula, é necessário avaliar como os pais percebem a família de origem e se a criança tem esta vontade.
Uma pesquisa realizada recentemente na Capital demonstrou que a maioria dos filhos adotados não tinha curiosidade em conhecer sua família biológica. “Neste caso, o que conta é a necessidade interna da pessoa”, completa.
Atualmente, em Santa Catarina há 3.144 pessoas inscritas para adotar uma criança, destas 2.017 residem no Estado, 842 moram em outros estados e 285 são residentes de outros países. Segundo a Central de Adoção, existem 1.295 crianças abrigadas e, destas, 310 estão prontas para adoção.
Para dar suporte àqueles que estão interessados em adoção, o Geaaf mantém um grupo de reflexão, voltado a pessoas que estão inscritas no Juizado da Infância e Juventude.
O grupo é aberto para moradores da Capital e dos municípios vizinhos. “É uma oportunidade para esclarecerem dúvidas sobre aspectos jurídicos, legais, psicossociais, discutirem com juizes e profissionais da área, além de trocarem experiências e conhecer a realidade. Por que muitos chegam querendo adotar um bebê e depois acabam optando por uma criança um pouco maior”, diz.
Para aqueles que já detêm a guarda da criança ou é pai adotivo, o mais indicado são as reuniões dos grupos de pais. Neste espaço são trabalhadas questões de adaptação e da integração do filho adotado à família. Úrsula destaca que não basta os pais quererem a adoção, esta deve ser desejada por toda a família. “A criança precisa ficar segura de que tem um lugar naquela família”. Os contatos com o Geaaf podem ser feitos pelo telefone 3224-2251 ou pelos e-mails geaaf.adocao@hotmail.com e geaaf@floripa.com.br.
- Fonte: Jornal AN Capital de 07 de novembro de 2007.
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